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Opinião: Polpa de Celulose Moldada é a Resposta para a Economia Circular?

PackTech Ventures - Newsletter #2 - Dezembro 2022



Enquanto a COP 27 ocorria, as grandes empresas de Bens de Consumo anunciavam novidades ambientalmente adequadas, sob a perspectiva de suas embalagens: o último mês começou com o anúncio do lançamento do amaciante Lenor, da Procter&Gamble, em frasco de papel produzida pela empresa Paboco. Segundo reportado pelo portal Packaging News, o piloto desse lançamento é realizado em parceria com a rede de supermercados Albert Heijn, dos Países Baixos, que disponibilizará 120.000 garrafas para venda no início de 2023. A venda piloto ajudará a oferecer insights sobre a funcionalidade de uma garrafa “não-plástica” para produtos líquidos de lavanderia, obtendo feedbacks críticos do produto em uso. Entranto, para evitar vazamentos do líquido, bem como para preservar a fragrância da fórmula, esta primeira geração de frasco possui uma camada interna de plástico reciclado. Ou seja: apesar de utilizar fibras de papel FSC certificadas, não é 100% composta por papel. A pergunta que fica, mais uma vez, é como será o pós-consumo desta embalagem? Pelo fato de ter 2 camadas unidas na estrutura base da embalagem, elas poderão ser separadas e/ou recicladas?


Em seguida a Procter&Gamble, outra empresa fez um importante anúncio: a Nestlé, em parceria com a gigante Huhtamaki, lançou cápsulas de papel para a linha de cafés Dolce Gusto Neo Pods (no Brasil) e Nespresso (na França e Suíça), a serem lançados no mercado também no início de 2023. Apesar das cápsulas de alumínio serem ainda a melhor opção do ponto de vista da reciclabilidade, a dificuldade na separação da borra do café usado e a embalagem inviabilizam isso na prática, e o mesmo ocorre com marcas que fazem uso de cápsulas plásticas de polipropileno. Daí a busca por um material que pudesse ser descartado como material orgânico, sem maiores impactos ambientais. A tecnologia proprietária de alta precisão da Huhtamaki para fibras moldadas lisas, transforma as fibras de polpa de madeira em soluções de embalagem de alto desempenho. As cápsulas de café à base de papel são feitas de fibra de madeira, proveniente de manejo responsável de florestas europeias. Foram certificadas independentemente pela TÜV Rheinland como compostáveis em casa, e compostáveis em esquemas de coleta de resíduos alimentares. Neste caso, como se trata de um insumo seco (pó de café), a aplicação desse tipo de embalagem é favorecida.


Logicamente, a Procter&Gamble e a Nestlé aproveitaram a data para chamar a atenção para suas soluções. Entretanto, outras empresas também apresentaram soluções similares anteriormente, incluindo a Kraft Heinz e a Diageo, que produzem, respectivamente, frasco de ketchup e garrafa de whisky de papel com a Pulpex, no Reino Unido. A Diageo formou um consórcio com PepsiCo e Unilever para escalar a adoção das soluções da Pulpex. Já a Pulpex, por sua vez, para aumentar sua capacidade de produção e atender a demanda deste consórcio, estabeleceu uma parceria com a empresa Finlandesa Stora Enso em 2021, visando ter uma linha de produção de alta velocidade operando a partir deste ano.


A tecnologia de polpa de celulose moldada é uma grande oportunidade para promover a circularidade; se utilizar fibras de papel provenientes de reflorestamento, auxiliam ainda no sequestro de carbono da atmosfera. Entretanto, conforme ilustrado no caso da Procter&Gamble e da Nestlé, o uso de embalagem “100% papel” depende da natureza do insumo: se seco (p.ex. sólido ou em pó), é de fácil adoção; se pastoso ou líquido, uma camada adicional se faz necessária para prevenir a migração de líquidos para a superfície externa da embalagem, danificando e inutilizando o produto para consumo. Por isso, a adoção da tecnologia e o alcance da circularidade são, na verdade, dependentes do que está dentro da embalagem. Assim, simplesmente ignorar e condenar o uso de plástico não é o caminho, e sim parte da solução para a redução do impacto ambiental. É necessário repensar o design de soluções plásticas, bem como estimular a reciclagem e o mercado de Resíduo Plástico Pós-Consumo (PCR).


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