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Economia Circular: Todos Querem rPET (Mas, Ainda Falta rPET Para Todos!)

PackTech Ventures - Newsletter #1 - Novembro 2022


Segundo análise da Bloomberg, o mercado de PET reciclado (rPET) em 2021 alcançou o valor de USD 9,25 bilhões, com projeção de alcançar USD 16,63 bilhões até 2030. Esse crescimento do mercado foi impulsionado pelo compromisso firmado pelas principais empresas de Bens de Consumo e do setor Têxtil junto aos seus acionistas, em reduzir o uso de PET virgem e aumentar em, no mínimo, 50% o uso de rPET, sendo que a maioria se comprometeu a alcançar essa meta até 2025. Além disso, pressões sociais e regulatórias por embalagens mais sustentáveis estão tomando forma nas principais economias do mundo. Produtos manufaturados a partir de rPET utilizam um processo ambientalmente correto, uma vez que demandam quase metade da energia utilizada para produzir itens com PET virgem, e as emissões de CO2 são significativamente mais baixas - assim, quem utiliza PET em grande escala, tem buscado a incorporação, mesmo que parcial, de rPET em seus produtos.


Entretanto, essa corrida pelo rPET – que está provocando o aumento no preço do material – está causando uma crise na Europa junto às pequenas e médias empresas (PMEs), particularmente do setor de Bebidas, cujos custos e oferta restrita em volume podem fazer com que essas empresas não consigam atender às demandas legislativas crescentes da quantidade de material reciclado presente nas embalagens. Conforme reportado pelo portal Packaging Europe, as PMEs estão se manifestando através da UNESDA Soft Drinks Europe junto à Comissão Européia que trata desse assunto, para introduzir um mecanismo de acesso prioritário a essas empresas, ou a prioridade ao direito de isenção de cumprimento das regras previstas na próxima versão da Diretriz de Embalagens e Descarte (Packaging and Packaging Waste Directive – PPWD).


Do lado da cadeia de suprimentos, a coleta pós-consumo de PET é fundamental – e é aí que o gargalo se encontra: a coleta “informal” é trabalhosa, se apoiando na consciência da sociedade e na rede de recicladores, que então precisam coletar, selecionar, agregar e transportar. Uma coleta “formal” por municípios e empresas privadas demandam altos volumes para justificar o investimento em infraestrutura para recuperação de materiais e reciclagem do plástico. O gargalo é um problema global, que, associado a redução de mão-de-obra em países desenvolvidos, e o banimento de importações de resíduos (o que poderia inclusive apoiar o desenvolvimento econômico de países exportadores, criando um novo mercado secundário dentro do setor de matérias-primas), estão impactando o aumento de preços. Segundo levantamento da Packaging Collective, na Europa, somente neste ano, o preço do rPET em flocos aumentou de €10 por 100 kg (€0.10/kg) para €1,600 por tonelada (€1.60/kg). Nos EUA, o rPET pellet, grau alimentício, teve um aumento de 52% no último ano. Os PMEs Europeus estão pressionando a Comunidade Européia para a regulamentação da importação de resíduos, visando aumentar a oferta de rPET e reduzir o seu custo.


A Europa – que tem a maior pressão regulatória – está aumentando em 21% sua capacidade de reciclagem de PET. O maior produtor de rPET do mundo – Indorama Ventures – está aumentando sua capacidade de produção para 750 mil toneladas e investindo USD 1,5 bilhões em capacidade adicional até 2025. Como parte desse esforço, formou uma joint venture com a Coca-Cola nas Filipinas chamada PETValue Phillipines, e acabou de inaugurar uma planta em Manila com capacidade de reciclar 2 bilhões de garrafas ao ano, gerando 200 empregos diretos. Apesar de todos os investimentos, o prognóstico é que ainda não serão suficientes para atender a demanda. Por isso, mudanças no volume e forma de consumo de determinados itens, estímulos ao descarte e coleta seletiva de lixo, busca por outros materiais (principalmente de fontes renováveis), e conscientização social, são chaves para um futuro sustentável da vida e dos negócios.


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